Visibilidade, inclusão e empoderamento da mulher na agenda dos executivos

Mesmo em países reconhecidos pela igualdade de gênero, a proporção de mulheres em cargos de alta gerência insiste em permanecer baixa. Segundo o estudo de 2021 da Oliver Wyman Women in Leadership Report, apenas um quarto dos líderes executivos norte-americanos são mulheres. O cenário piora à medida que nos aproximamos do topo da chefia: das três mil empresas participantes da pesquisa, nem 6% têm em sua liderança uma CEO mulher.  


Apesar dos recentes esforços das organizações em promover uma cultura de equidade, os números mostram que nossas ações não têm sido eficientes. Sem acesso a posições de destaque, as mulheres se tornam invisíveis, destinadas a permanecer na camada mediana da estrutura corporativa. Se estamos, de fato, comprometidos com a questão de gênero no ambiente de trabalho, precisamos agir já.


Os programas de mentoria para o empoderamento de mulheres devem contar com o apoio de sponsors que façam uso de sua credibilidade pessoal para dar visibilidade a essas profissionais, além de guiá-las nas tomadas de decisão críticas para suas carreiras. Nesse processo, surge mais uma complicação: a grande maioria dos gestores são homens, que muitas vezes enxergam seus pares com um perfil masculino. É de suma importância que os gestores ponham em prática o conceito de growth mindset e se disponham ao exercício diário de reconhecer os desafios que a sociedade impõe às mulheres, além das diferenças próprias dos indivíduos, independentemente de gênero, opção sexual, raça e condição social. Isso, sim, é estar disposto a formar uma equipe diversa.


Se em regiões mais avançadas na luta contra a disparidade de gênero a diferença proporcional entre homens e mulheres em cargos de alta gerência é gritante, na América Latina a situação é ainda mais desafiadora. As grandes empresas da região precisam, com urgência, inserir o tema na agenda dos executivos. São necessários um plano de metas e uma política de cotas, para forçarmos o percentual de diretoras executivas em direção à igualdade. 


Mesmo em um contexto tão hostil, o poder feminino mostrou sua força. As mulheres executivas, que passavam boa parte de seu tempo no escritório, se adaptaram ao home office instalado no quarto adjacente à sala de aula virtual das crianças. Prestes a completar um ano de pandemia, testemunhamos um contingente de mulheres executivas plenamente adaptadas ao home office, munidas de perseverança, resistência e resiliência. Demos mais atenção às relações familiares, estamos mais conscientes em relação à nossa saúde mental, prezamos pela saúde física e por uma alimentação saudável, feita em casa. O resultado é bem-estar e desempenho. O futuro chegou, e ele é inclusivo e flexível. Nós, mulheres, estamos prontas para encará-lo. E você, como está apoiando esta causa da equidade de gêneros nos cargos de Liderança da sua empresa?


Paula Lopes

Paula Lopes

Paula iniciou sua carreira na Marsh em 2008, atuou em diversas posições de liderança e em 2019, assumiu a Liderança de Placement da Marsh LAC. Paula é formada em Engenharia de Materiais com especialização em Química pela Universidade Mackenzie, além de uma pós-graduação em Gestão de Negócios pela Fundação Armando Álvares Penteado. Paula apoia as causas do empoderamento das mulheres e é Diretora da AMMS (Associação das Mulheres do Mercado de Seguros).