Seguro Rural, Gestão de Riscos e a evolução do Agronegócio no Brasil

O Brasil é tido como o celeiro mundial em termos de agronegócio, no contexto atual. Em tempos de pandemia, a pesquisa realizada pela IHS Markit, à pedido da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) aponta que a operação da agropecuária teve baixo impacto econômico em suas atividades, sem mudanças significativas na rotina do produtor. Foi o agronegócio que sustentou a economia e livrou muitos países da escassez de soja e carne bovina.

Com um clima diversificado, chuvas regulares, energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta, o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis, férteis e de alta produtividade, dos quais 30 milhões ainda não foram explorados, segundo material da ENS – Escola Nacional de Seguros.

Existe o conceito de desenvolver o agronegócio, pelo fato de estar estritamente ligado à segurança alimentar. A segurança alimentar trata-se de um acordo consolidado na Cúpula Mundial de Alimentação, em 1996, em Roma, no qual representantes de vários países, inclusive o Brasil, elaboraram um plano de continuidade alimentar. Este plano de ação, prevê que todas as pessoas possuem o direito de acesso físico e econômicos a alimentos seguros, nutritivos a fim de levarem uma vida sã.

A agricultura tem um cunho cultural e social muito forte. A tradição de “pai para filho”, traz consigo às terceiras e quartas gerações de produtores. A grande diferença, é que atualmente, vemos um profissionalismo na geração vindoura, no qual tornou-se Gestor de Fazenda ou Diretor de Fazenda, voltando das capitais e exterior com qualificação aprimorada e viés tecnológico.

E nesta nova fase do agronegócio a importância e necessidade da contratação de Seguro Rural e Gestão de Riscos, está latente. Em todo o mundo, o Seguro Rural é um dos mais importantes instrumentos de política agrícola, pois, permite ao produtor proteger-se contra perdas decorrentes do clima, sendo fundamental para a estabilidade de renda do produtor e geração de empregos no campo.

Atualmente, a maior dificuldade na contratação do Seguro Rural após a conscientização da sua importância, é a mensuração do risco. Em especial o Seguro Agrícola, possui grande dificuldade em sua precificação, pela falta de histórico e a ocorrência cíclica de eventos meteorológicos. As seguradoras necessitam de esforço adicional na subscrição e liquidação de sinistro com inspeções individuais e corpo técnico robusto, bem como serem suportados por corretores e consultores qualificados a este risco.

São mais de dez ramos ligados ao risco rural, sendo os mais procurados pelo produtor: o seguro agrícola e o seguro multirrisco. No seguro agrícola o produtor se resguarda de explorações agrícolas contra perdas oriundas de fenômenos meteorológicos, cobrindo o ciclo completo da planta – da floração à colheita. Já no programa de multirrisco, o seguro prevê a cobertura para causas não evitáveis de perda de produção, em especial o clima adverso como: seca, chuvas excessivas, geadas, incêndio, raio entre outros.

Dependendo da cultura, a indicação do ramo de seguro diverge. Por exemplo, grãos são indicados para seguro de multirrisco, granizo e geada. Já frutas e hortaliças, se concentram em granizo e geada.

Por fim, o governo disponibiliza ao produtor rural no intuito de avançar com as coberturas, o programa de subvenção ao prêmio do seguro rural. No contexto da Lei publicada em 2003, a subvenção dá a oportunidade para a contratação da apólice, com o repasse de parte do prêmio custeado pelo Governo Federal.  

O avanço tecnológico e conscientização de que o Agro precisa cada dia mais ser sustentável, trouxe os holofotes para a transferência do risco ao mercado segurador e, a busca por ferramentas que tornem a operação mais assertiva, rentável e sólida!

 


Camila Feriani

Camila Feriani

Head de Varejo, Alimentos & Bebidas e Agronegócio na THB Corretora e Consultoria de Seguros, contribui para que empresas da sua especialidade tenham o programa de seguros e riscos adequados, respeitando suas particularidades. Com mais de 15 anos de experiência no mercado segurador, atuou como Risk Manager em grandes empresas do varejo nacional e internacional, com operação Latam. Formada em administração com ênfase em Seguros e Previdência pela Escola Nacional de Seguros, cursando MBA em Compliance e Riscos, tem como propósito desmistificar Seguros & Riscos, Carreira & Maternidade!